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Ensino bilíngue na primeira infância: mitos e verdades
novembro 14, 2016

ensino bilingue na primeira infancia mitos e verdades

O ensino bilíngue na primeira infância é rodeado por uma série de dúvidas e mitos.

É possível – e saudável – ensinar um segundo idioma a uma criança? Ensinar inglês em paralelo com o aprendizado da língua portuguesa pode gerar algum tipo de confusão nos “pequenos”?

Muitas são as dúvidas em torno do chamado bilinguismo durante a educação na primeira infância. Afinal, é cada vez maior a oferta de escolas dedicadas a esta prática e a quantidade de pais que

desejam poupar seus filhos dos percalços em aprender um novo idioma em idade mais avançada. Mas, há vantagens para as crianças?

 

De acordo com a diretora da rede de franquias THE KIDS CLUB, Sylvia de Moraes Barros, especialista no assunto, são muitos os benefícios deste método. “Todo ser humano nasce com o

cérebro pronto para aprender línguas. Esta habilidade é mais aguçada entre os dois e quatro anos de idade e, conforme os anos vão passando, a capacidade de aprender novos idiomas com

facilidade vai se perdendo”, esclarece. “Se o cérebro é estimulado a aprender novas línguas nos primeiros anos, ele responde imediatamente ao estímulo e vemos o aprendizado de idiomas em

crianças acontecer de maneira rápida e extremamente eficiente. E o mais importante: sem que a criança tenha tido dificuldades durante o processo.”

Sylvia explica, ainda, que o estímulo ao cérebro infantil também traz vantagens cognitivas importantes; melhora o raciocínio; a capacidade de concentração e de memorização; ativa as conexões

cerebrais e faz até com que a criança passe a usar melhor sua primeira língua. “Devemos sempre ensinar uma nova língua a uma criança da mesma forma que ela aprendeu a primeira, ou seja, por

meio da sua exposição ao idioma de maneira lúdica e dentro de um contexto compreensível a ela. Crianças não têm qualquer resistência ao aprendizado e realmente absorvem o que lhes é

ensinado de maneira extremamente eficiente, desde que aquele conteúdo lhes faça sentido”, observa.

 

Para a diretora da THE KIDS CLUB, muitos são os questionamentos sobre a educação bilíngue porque esta é uma prática relativamente nova no país. Além disso, ainda há falta de informação

sobre o tema. “As pessoas que não conhecem o assunto a fundo ainda têm preconceito e acham que este processo atrapalha as crianças. Mas este pensamento está completamente errado”, afirma

Sylvia.

O que concluir, então, sobre o processo do bilinguismo na infância?

Confira alguns mitos e verdades compartilhados e devidamente esclarecidos sobre a educação bilíngue para crianças.

 

(X) Mito: A alfabetização bilíngue gera confusão com a língua materna. 

 O cérebro humano é capaz de aprender diversos idiomas e armazená-los de forma que cada um seja acessado independentemente quando estimulado. O que acontece é que, durante o processo de

aprendizado, uma criança pode misturar dois idiomas em uma mesma frase. Isso ocorre não porque ela está confundindo, mas porque ela está aprendendo da maneira correta. O cérebro escolhe

sempre o caminho mais fácil e eficiente para realizar a tarefa que precisa. Se uma criança brasileira que está aprendendo inglês quer falar uma palavra e aquela palavra (em inglês) foi realmente

aprendida e internalizada pela criança, o cérebro pode acessar a palavra em inglês de forma mais rápida que a palavra em português. Isso é parte do processo natural de aprendizado. Com o

tempo, o aluno aprende a usar cada idioma separadamente.

 

(✓) Verdade: Aprender inglês em tenra idade evita o sotaque.

Sim, porque nosso aparelho fonador (boca e língua) ainda está em formação e, por isso, é capaz de reproduzir qualquer som. Conforme o tempo passa, esta capacidade se perde. Quando chegamos

à idade adulta, perdemos a capacidade até de distinguir certos sons que não fazem parte da nossa língua materna, o que na infância não acontece. Crianças têm maior capacidade para distinguir e

reproduzir fonemas, o que permite a perfeição na pronúncia.

 

(X) Mito: Há conflitos gramaticais em aprender duas línguas ao mesmo tempo.

Não, pois cada idioma tem suas regras gramaticais que são ensinadas separadamente.  Em uma escola bilíngue, como o nome diz, ensinam-se duas línguas. Portanto, a gramática de português é

ensinada em português, e a gramática de inglês, em inglês.  Além disso, deve-se respeitar a ordem natural de aprendizado de um idioma, ou seja, seguir o mesmo caminho que percorremos em

nossa primeira língua: primeiro, aprendemos a falar, depois, aprendemos a escrever o que já falamos e, por último, aprendemos as regras gramaticais do que já falamos e escrevemos!  O

aprendizado da gramática deve ser a última etapa do processo.

 

(✓) Verdade: É mais difícil esquecer a segunda língua quando ela é aprendida na infância.

Se o aprendizado é feito de forma apropriada e natural, o conhecimento pode ficar adormecido, mas não é esquecido. O aprendizado de idiomas é a melhor e mais saudável forma de se estimular o

cérebro de um ser humano. Existem pesquisas que comprovam até que pessoas bilíngues tem menos chance de ter doenças mentais na terceira idade. A infância é a melhor época para se aprender

idiomas e é a fase que podemos ensinar o aluno a gostar de aprender línguas, tornando-o, assim, um eterno aprendiz.

 

(X) Mito: O ensino bilíngue pode causar traumas e constrangimentos nas crianças.

As crianças não apresentam qualquer tipo de resistência ou interferência no processo de aprendizado, o que torna o método natural, fácil e bastante prazeroso. Há transtornos apenas se o ensino

ocorrer de forma inapropriada. O correto é ensinar de forma lúdica, leve e divertida, fazendo com que a criança não perceba que está aprendendo e que se relacione com o novo idioma sempre

como algo fácil e divertido.

 

(✓) Verdade: Pais bilíngues ajudam no processo de aprendizado das crianças.

Sim, pais que são nativos de países diferentes podem e devem falar com seus filhos nas duas línguas. Esta é a forma mais eficiente de se criar crianças bilíngues.  A criança que ouve dois idiomas

em casa desde o nascimento, cresce falando os dois fluentemente e alterna o idioma que fala com o pai e com a mãe de forma automática. Mas isso tem que ser natural.  Só funciona bem quando

os pais são realmente nativos no idioma.

Filhos de pais que falam o mesmo idioma e estão aprendendo outra língua em sala de aula necessitarão um pouco mais de tempo para adquirir o conhecimento no idioma a ponto de se tornar

bilíngue, pois tudo depende da quantidade de exposição à língua.   Porém, se os pais são brasileiros, por exemplo, mas sabem falar inglês, podem estimular o aprendizado do filho envolvendo-se

com o que ele está aprendendo, interessando-se, aprendendo as músicas que ele aprende, contando histórias em inglês, etc.  Esperar que pais brasileiros falem inglês o tempo todo com seus filhos

é uma situação forçada que não dá resultado, pois é muito difícil de ser levada a diante.

  

(X) Mito: O bilinguismo pode comprometer o aprendizado da língua materna ou diminuir o interesse por ela.

Este risco não existe. A língua materna é a língua do coração, a que a família fala e é a primeira que a criança vai aprender. Nada pode comprometer este aprendizado. O cérebro da criança tem a

capacidade de acomodar todos os conhecimentos sem prejudicar um para garantir o outro. Crianças que aprendem inglês em sala de aula a partir dos dois anos não têm qualquer problema em

relação à fala do idioma materno, pelo contrário! Estudos e experiências nos mostram que quem começa a aprender um segundo idioma passa a usar melhor seu primeiro idioma.

 

(X) Mito: Crianças bilíngues têm atraso no desenvolvimento da fala?

Isso depende muito da criança. Algumas crianças de pais que falam dois idiomas diferentes podem demorar um pouco mais que o normal para começar a falar, mas, quando começam, falam os

dois idiomas fluentemente. Isso não é um problema, mas apenas uma acomodação maior do cérebro aos dois idiomas.  Em se tratando de crianças que estão aprendendo um segundo idioma em

sala de aula, este risco não existe.  O que acontece é exatamente o contrário, ao aprender um segundo idioma, a criança fica ainda mais estimulada a falar.

 

Texto por: The Kids Club

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